Viva como nunca antes a obra-prima do cinema mudo de Dreyer, de 1928, *A Paixão de Joana d’Arc*, reimaginada com uma banda sonora de metal ao vivo e avassaladora, da autoria dos The Silent Light. Este ritual cinematográfico de julgamento e transcendência será apresentado ao vivo, numa única noite, no Screenland Armour, a 26 de agosto de 2026.

O êxtase espiritual e a hipocrisia institucional ganham vida de forma crua e vívida numa das obras-primas mais transcendentais da era do cinema mudo. Ao narrar o julgamento de Joana d’Arc nas horas que antecederam a sua execução, o mestre dinamarquês Carl Theodor Dreyer retrata o seu tormento com um realismo surpreendente, recorrendo a um leque de técnicas — iluminação expressionista, cenários interligados, grandes planos dolorosamente íntimos — para mergulhar os espectadores na sua experiência subjetiva. A sustentar a audaciosa experimentação formal de Dreyer está a lendária interpretação de Renée Falconetti, cujo rosto atormentado transmite tanto a agonia como o êxtase do martírio.